quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Enormíssimo cronópio

Achei que passaria batido, mas pelo menos o El País lembrou hoje os 25 anos da morte de Julio Cortázar (1914-1984). Desculpem a indelicadeza, mas só tem uma palavra para descrever o cara: fudido.

O Jogo da Amarelinha (1963) é uma das maiores experimentações em literatura do século 20 (Grande Sertão, na minha opinião, é o ponto máximo), além já ser hipertextual. Cortázar também foi um crítico de mão cheia.

Mas é nos contos que vamos encontrar a cereja do bolo, aquele diferencial que nos leva a reencontrá-lo, com insistência, nas estantes.

Estranho
Cortázar tem uma estranha metafísica. Ele conduz o leitor do cotidiano mais prosaico à fantasia mais absurda de um parágrafo a outro. A realidade se torna algo pouco familiar.
Apertar uma colherinha entre os dedos e sentir seu latejar metálico, sua advertência suspeita. Como custa negar uma colherinha, negar uma porta, negar tudo o que o hábito lambe até dar-lhe uma suavidade satisfatória. Quanto mais simples é aceitar a fácil solicitação da colher, usá-la para mexer o café.
(História de cronópios e de famas)

Difícil, mas sempre um prazer.

Foto: Leopoldo Pomés.

Um comentário:

Francisco disse...

Não sei, não entendo mais nada: achei q fudido fosse significado de coisa ruim rs.

EM BREVE, FRANCISCOPRADO.COM.BR,

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